29 de abril de 2010

8 opiniões 29.4.10

O Livreiro de Cabul - Åsne Seierstad

Posted by Iris - Filed under , , , ,
Primeiro, postarei a lista de participantes da promoção Todas As Estrelas do Céu do Enderson Rafael. Fiquem atentas que o resultado sai amanhã e o próprio vencedor tem que entrar em contato comigo, via e-mail. Nessa promo eu não mandarei e-mail para o vencedor.


Se expirar o link, me avisem para dar upload de novo, pois só consegui hospedar no Rapid Share.


Por ter vivido três meses com uma família afegã, na primavera de 2002, logo após a queda do regime talibã, a jornalista norueguesa Asne Seierstad pôde produzir esta narrativa ímpar que mostra aspectos do país que poucos estrangeiros testemunhariam. Como ocidental, mulher e hóspede de Sultan Khan, um livreiro de Cabul, obteve o privilégio de transitar entre o universo feminino e masculino de uma sociedade islâmica fundamentalista. Preso e torturado durante o regime comunista, Sultan Khan teve sua livraria invadida e parte dos livros queimados, mas alimentava o sonho de ver seu acervo de 10 mil volumes sobre história e literatura afegã transformar-se no núcleo de uma nova Biblioteca Nacional.

Apesar da situação estável, a família do livreiro, dividia uma casa de quatro cômodos em uma cidade que se recuperava da guerra e de trágicos reflexos políticos. Os integrantes da família acostumaram-se à presença da autora sob uma burca. Assim, ela pôde observar relatos das rixas do clã; da exploração sexual das jovens viúvas que esperavam doações de alimentos das organizações de ajuda internacional; da adúltera sufocada com um travesseiro pelos três irmãos sob as ordens da mãe; do exílio no Paquistão da primeira esposa de Sultan Khan, após um segundo casamento com uma moça de 16 anos, do filho adolescente do livreiro obrigado a trabalhar 12 horas por dia sem chance de estudar.
A autora apresenta uma coleção de personagens comoventes que reflete as contradições do Afeganistão, e nos emociona sobretudo ao apresentar a rotina, a pobreza e as limitações impostas às mulheres e aos jovens do país. O protagonista, mesmo sendo um homem de letras, é um tirano na orientação familiar, nos negócios, e pautado pelo radicalismo. Prova disso é que, indignado com o trabalho da autora, o livreiro de Cabul que inspirou o personagem Sultan Khan foi à Noruega com o propósito de pedir reparação judicial.
Esse livro que trago hoje é diferente dos que estou acostumada a resenhar. O Livreiro de Cabul é, antes de tudo, um relato jornalístico com ares de ficção, um mergulho na cultura afegã.
Eu sou apaixonada por cultura internacional, e quando li este livro eu estava fascinada pela cultura afegã, por ser tão diferente do que nós estamos acostumados. O Livreiro de Cabul nos faz mergulhar nessa cultura. Para quem já leu A Cidade do Sol e O Caçador de Pipas e quer descobrir mais sobre esse país, eu recomendo o livro.
A jornalista em questão, a norueguesa Åsne Seierstad, passou três meses na casa do Sultan Khan, um vendendor de livros de Cabul, capital do Afeganistão. Porém, Sultan Khan é o nome fictício do homem que a abrigou. O regime talibã havia caído recentemente e ela não poderia revelar a identidade do mesmo tão fácil.
Os relatos de Seierstad, que conviveu com a família, impressionam. Ela viveu esses três meses incógnita atrás da burca, fazendo relatos que um estrangeiro não faria. Convivera como uma afegã, então o livro tem um tom diferente dos que estamos acostumados.
Há histórias completamente absurdas para nossa cultura, como por exemplo, quando Sultan Khan envia a primeira esposa para o Paquistão para se casar com uma mais nova, de apenas dezesseis anos. Um dos filhos também é obrigado a trabalhar doze horas por dia e não pode estudar.
Vale lembrar que a realidade da família que abrigou Åsne Seierstad é completamente diferente da maioria das famílias afegãs. Ser um livreiro faz de Sultan Khan um homem letrado e mais rico que a maioria. Mas quando você lê o livro, você pensa: "Se ele é 'mais rico', imagine os outros!".
Você termina o livro completamente chocada com a cultura afegã, mesmo depois de já ter lido outros livros sobre o assunto.
O verdadeiro Sultan Khan, que se chama Shah Mohammad Rais, foi até a Noruega para processar Åsne Seierstad, por ter "revelado além do que deveria". Mas ele acabou fechando um contrato com uma editora Norueguesa e escreveu o livro "Eu sou O Livreiro de Cabul", em resposta às críticas da jornalista.
Eu só achei esse livro uma vez em um sebo, mas no dia estava sem dinheiro, e no dia seguinte, quando retornei, já haviam vendido. Mas pretendo muito lê-lo.

Åsne Seierstad é uma jornalista norueguesa que atua como correspondente de guerra desde 1994 (se eu disser que meu sonho é ser correspondente de guerra vocês acreditam? Pois é, é meu sonho). Asne já cobriu diversos conflitos para meios de comunicação holandeses, alemães e escandinavos. Cobriu também a invasão e a Guerra do Iraque, e durante esse período escreveu O Livreiro de Cabul, buscando um novo ponto de vista sobre a guerra no país. Também escreveu 101 dias em Bagdá, outro relato de Guerra.

8 opiniões:

Celsina disse...

Eu ainda não li 'A cidada do sol' mas já estava na minha lista depois que o 'o caçador de pipas', agora esse também entro na fila. Também sou apaixonada pela cultura de outros paises!

P.S.: Nunca ia imaginar que você gostasse de HQ, que ótimo!! Agora HQ virou uma de minhas paixões!!
Beijos!
Cel.

Vanessa Meiser disse...

Oieee
Também li este livro, na verdade foi o primeiro livro "serinho" que li, rsrsrs, a fora os romaces.
Eu amei a coragem desta autora em não ter medo algum de mostrar e julgar essa cultura absurda que ainda (parece incrível) exista no mundo.
Resenha muito boa.

Nanda disse...

Ei Íris,

Eu também acho muito interessante saber mais sobre outras culturas, li todos estes que vc comentou e a pouco tempo andei lendo alguns sobre a Índia.

Sobre O livreiro de Cabul, o livro é muito interessante e meio revoltante também. Agora quando você ler "Eu sou o livreiro de Cabul" vc vai pensar e ponderar tudo o que ela falou. Eu duvidei de várias partes do texto.

Por exemplo se o cara fosse tudo aquilo que ela disse pq ele teria aceitado hospedar uma ocidental em sua casa por tanto tempo? Estranho ne?

Espero que vc leia o outro é muito legal comparar os dois.

bjo

Lariane disse...

quase comprei, deixei passar!

Fernanda disse...

Eu não duvido que esses livros sejam bons, mas acho que não fazem meu estilo. É diferente demaaaais pra mim, a cultura, td. Tentei ler o caçado de pipas tempoas atrás, mas desisti, pois além de diferente, era tão triste.. :(

Bjos!

Lu disse...

não é meu tipo de leitura, mas parece ser interessante. =)

MARCINHOW disse...

Gostei muito desse seu espaço, já estou seguindo! Dê uma olhada lá no meu espaço, marcinhoweoslivros.blogspot.com abraços

Anônimo disse...

Estão falando muito bem dos dois livros. Tenho certeza que vou gostar. Já li o caçador e pipas e AMEI!

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