15 de abril de 2011

14 opiniões 15.4.11

A Morte do Calouro - Cecilia Vasconcellos

Posted by Iris - Filed under , , , ,
Maria Eduarda acabou de entrar na PUC-Rio para estudar Direito. No primeiro dia de faculdade, alguns veteranos convocam todos os calouros para uma festa obrigatória, de "iniciação", que ocorrerá no prédio de um deles. Doida para se enturmar, Maria Eduarda vai a tal festa. Ao chegar lá, percebe que a festa, regada apenas a cerveja e cachaça, é na verdade um trote nada divertido, que só busca humilhar os calouros. Após ser forçada a fazer o que não queria, Maria Eduarda foge da festa. Pensando que as coisas não podem piorar, ao acordar ela descobre através do jornal que um dos calouros morreu durante a festa. Convencida de que aquilo foi culpa da brincadeira de mal gosto de seus veteranos, Maria Eduarda resolve investigar sozinha a morte de Mariano e começa a se envolver em uma confusão que a faz precisar de proteção policial e muito cuidado para não ser a próxima vítima.
A história é bem curtinha e li rápido como não lia há muito tempo. É uma história original e com um desfecho inesperado, raro de se ver em histórias policiais. É voltado para o público jovem e se passa com estudantes universitários, algo difícil de se ver. Além disso, acompanha um pouco a rotina policial, já que o sonho da personagem principal é ser delegada e ela começa a bisbilhotar por conta própria para resolver o caso, enchendo o saco da polícia para conseguir resolver a trama.
Maria Eduarda é muito teimosa, mas uma excelente personagem. Outros personagens que gostei muito foram o inspetor Alonso e Vitória. A Melissa, amiga que Maria Eduarda faz na faculdade, é avoada e hilária, mas muito "gente boa". Ela é a veia cômica do livro.
Porém, não consegui simpatizar muito com o namorado dela. Apesar de ser bonzinho e tudo mais, achei que faltou um pouco de química entre os dois, embora esse não fosse o foco. Mas apesar dele sofrer algumas coisas durante o livro, o achei um pouco "peso morto", parecia que estava ali por estar.
Não é uma história cheia de reviravoltas, é um pouco mais realista. O final prova isso, embora não possa comentar muito para não dar spoilers. O fato é que é algo que acontece com muitos casos policiais por aí.
A única coisa que não gostei foi que a visão de trote da autora é muito "monstruosa". Trote é uma brincadeira saudável e divertida, ninguém faz porque é obrigado. Pedir dinheiro no sinal, se pintar, raspar a cabeça (no caso dos meninos), fazer elefantinho e até mesmo algumas brincadeiras que envolvem alcool são comuns, mas sem forçar ninguém a fazer isso. No caso da história do livro, é uma maldade feita por pessoas má intencionadas - tanto é que é feita apenas por um grupo de veteranos. Mas, infelizmente, sabemos que esses trotes "maldosos" já aconteceram em alguns lugares e alguns estudantes já morreram com essas "brincadeiras". É esse tipo de trote que deve-se proibir, mas não o trote em si. É um rito de passagem para a Universidade, não há problema algum desde que não ponha em risco a vida ou a moral de ninguém. Na Wikipedia, tem exemplos de alguns trotes humilhantes ou perigosos que já aconteceram no Brasil.
Em todo caso, é um livro super recomendado. Leve, rápido e bem escrito. Além disso, o tema é original e rola muita identificação com o cenário em que a personagem está inserida.

Nota

14 opiniões:

Fernanda disse...

Gostei da idéia do livro, acho que deve ser bem legal... vou colocar na minha lista do Skoob. ^^

Mas discordo de vc. Acho a cultura do trote uma das coisas mais nonsense que já inventaram! E o fato é que muitas vezes o pessoal é obrigado a participar SIM.

Qdo passei pra Unirio, fui OBRIGADA a ficar de elefantinho, me pintaram, confiscaram minha mochila até a hora que nos 'liberaram', e a coisa toda. Tinha gente que queria participar, e se divertiu... só que eu não queria, assim como outras pessoas, mas não tivemos escolha: cercaram nossa sala e não deixaram ninguém sair. Quem teria peito de enfrentar sozinho aquele bando de veteranos? Eu não. Então, lá fui eu pro trote, sem querer.
Fora a pressão psicológica: "Nem tenta fugir, calouro! Se não der dinheiro, vamos marcar a sua cara e vc tá ferrado!", etc... Eu fui no primeiro dia, dps faltei o resto da semana pra não ter que passar por aquilo de novo.

Na faculdade em que estou agora foi a mesma coisa. Nos primeiros dias foi tranquilo, mas dps os veteranos vieram na nossa sala nos cercando e ameaçando com o trote - inclusive um deles falou pra mim: "Que cabelão bonito... vai ficar lindo curto!" Faltei o resto da semana. Pelo que eu soube depois, teve mesmo o trote, mas ngm foi obrigado a fazer nada, felizmente. Mas essa coisa da intimidação SEMPRE rola, é fato. E é ridículo. Não sei como as pessoas conseguem se enturmar na base da intimidação. ¬¬

Enfim, eu ODEIO trote! :P No que dependesse de mim, era abolido totalmente... pq se fosse feito de um jeito em que realmente só participa quem quer, sem intimidação, td bem. Mas em muitas vezes não é isso que acontece.

Enfim, escrevi demais, haha... mas é que acho que vou concordar com a autora: pra mim, trote é furada! ;)

Bjoos!

Paulinha disse...

Também gostei da resenha. Vou dar uma chance. :)

E concordo em parte com a Iris. Eu encaro o trote como um rito de passagem mesmo, uma daquelas experiências marcantes da vida, das quais a gente lembra pra sempre com todos os detalhes. Mas por outro lado, se a gente parar pra pensar, você basicamente sai por aí pedindo esmola pra pagar a bebida da festa que rola depois. Além de não ser das causas mais nobres, a gente podia conseguir o dinheiro de uma forma mais digna, tipo vendendo... qualquer coisa. Até as entradas pra chopada.

Eu tive a sorte de meu trote na UFRJ ter sido super tranquilo. Ninguém foi obrigado a nada e nem rolou nenhuma brincadeira de mau gosto. Mas vários amigos de outros cursos (na mesma instituição) tiveram trotes que eu teria horror de participar e considero humilhantes - mesmo ninguém tendo sido sendo obrigado a nada. Também acho um absurdo a quantidade de dinheiro que alguns veteranos estipulam pros calouros arrecadarem por dia, e alguns usarem os documentos das pessoas como garantia!

Eu penso que não deviam proibir o trote, mas certas práticas comuns sim. Não vejo motivo pra incluir assédio moral, constrangimento, álcool (sempre dá... enfim), num momento tão importante pro calouro. O trote solidário, pra confraternizar e ajudar quem realmente precisa, tá aí.

Eu tou pensando em mudar de curso e vou fazer vestibular de novo esse ano. E caso eu mude de curso mesmo, vou pensar seriamente se participo de outro trote ou não, apesar da minha primeira experiência ter sido legal.

αηδψϊηћα ஐβϊττψஐ disse...

Assim que li a sinopse pensei no caso que aconteceu em sampa, mas ao ler a resenha vi que a autora se baseou em algumas coisas reais e criou outras. E gostei, anotei a dica.
Tbm não tenho nada contra ao trote, desde q seja uma brincadeira e não algo perigoso.

Andy_Mon Petit Poison
@MPPoison

Iris disse...

A minha visão também é essa, Andy. Eu acho que quando feito de uma forma sem ser perigosa ou forçada, todo mundo se diverte. Se for perigoso, não rola.

Robledo Filho disse...

O tema é com certeza original pra caramba. Sempre tem uma parte da vida em que você fica preocupado com essa história de trote, principalmente porque já ouviu muita coisa a respeito e já soube de um sem-número de brincadeiras humilhantes que o povo faz em algumas faculdades. Aí, a coisa já começa a dar errado.

Também vejo o trote como uma experiência de enturmação, uma forma de você conhecer quem vai estar no mesmo barco que você durante uns quatro ou cinco anos, mas toda a atmosfera que se construiu em volta dele... Isso com certeza não devia ter acontecido. Por isso que acho interessante quando algumas universidades criam a experiência do trote solidário, que é muito mais profícuo do que o acúmulo de dinheiro pra comprar cerveja, por exemplo.

O livro parece ser uma coisa boa de ser lida FORA da época de vestibular/pré-primeiro período. Depois que você já se estabilizou na faculdade e já tem condições até de DAR trote, deve ser uma ótima leitura, até porque faz você cair na real de que muitas brincadeiras realmente passam do limite.

Beijão.
Livros, Letras e Metas

leitoracompulsiva disse...

Oi Iris,
Realmente esse livro aborda um tema bem polêmico!! Fico chocada quando vejo essas notícias de trotes violentos e que acabam em mortes! Quando estava na faculdade, organizei muitos trotes e sabe o que aconteceu?? Fiz grandes amigos entre os calouros!! Porque simplesmente a gente brincava!!
Beijos
Camila

RUDYNALVA disse...

O assuto é bem interessante e chama atençã, além do que, imagino que devamos sempre discutir assuntos ligados a nossas realidades.

Na minha época os trotes não eram obrigados, mas também não eram tão violentos como os de hoje. Sou contra! TEM FEITO ABSURDOS nas faculdades e universidades.

A resenha é ótima e como gosto de temas relacionados a realidade, quero ler!
cheirinhos
Rudy

Tatiana disse...

É, eu não sou nem um pouco simpatizante aos trotes, mas sei que muita gente quer fazer disso uma passagem na sua vida. O que eu defendo é o trote cultural, com brincadeiras legais e nada de intimidação, principalmente no quesito ser obrigatório. Não é todo mundo que tem o mesmo espírito esportivo ou até mesmo a paciência pra aguentar esse tipo de brincadeira. Na instituição que eu estudo teve, mas na parte da manhã, e dizem que a coisa foi meio descontrolada. Credo. Ainda bem que eu estudo à noite, com um pessoal bem mais maduro e consciente do que está fazendo ali.

O livro me pareceu bem interessante! =) Adorei a resenha!

Beeijo! ;3

Lygia Netto disse...

A resenha está mt bem estruturada! =D

Com relação à temática do livro, eu acho o seguinte: realmente tem gente que não gostaria de passar por isso. Mas na maioria das universidades e dos cursos, rola o trote. O ideal é levar na esportiva. E observar que as coisas tem limites. Se alguma situação fugir do controle, temos a universidade para apoiar e isso tem que ser feito sim.

Mas tirando isso, acho que é super válido passar pela experiência. Eu gostei muito do meu trote, foi muito divertido. Foi uma ótima forma de conhecer os demais calouros e enturmar com os veteramos! =D

Beijos Iris.

Mariana Paixão disse...

Nossa, que interessante!
Achei muito legal a premissa do livro!
É diferente do que normalmente a gente vê por aí atualmente, isso é bem legal!
E um livro um pouco mais realista é sempre bom às vezes! \o/

Li Um Livro disse...

Oi Iris!
Acompanhei você comentando sobre esse livro no twitter, e fiquei com vontade de ler antes mesmo de conferir a resenha. haha
Gostei do tema e da abordagem do livro, é algo que está aí, na cabeça de todo jovem, que um dia vai passar por isso.
Também achei a capa bem legal! ^^
Beijos!

Julia Nevares disse...

Fiquei com muita muita vontade de ler esse livro. As vezes parece que todos os livros são ou no ensino médio, ou com pessoas de 30 anos que ainda não casaram hm
Quase nenhum é na faculdade, ainda mas na PUC RIO(eu acabo achando isso estranho, mas ok haha)

Eu sempre digo que os meus veteranos são muuito bobos, então eles não obrigam ninguém a nada, meu trote não teve nada demais. Mas eu acho muito divertido, se as pessoas souberem fazer. Tem veterano que se acha ? Tem. Mas tem calouro que já chega cheio de medo e se sente intimidado por tudo.
Se for na brincadeira, é super divertido , adooro hahaha

beijos (;

Lucas Justino. disse...

Esse livro deve ser bom pra caramba,uma história muito marcante!!

Bianca disse...

Bom, esse ano, irei prestar vestibular. Não tenho uma opinião totalmente formada sobre trote, se sou contra ou a favor, acho que os dois haha. Acho que tudo que é obrigado se torna chato e faz com que a pessoa que passou por isso fique frustrada, deixe de ir à universidade e tudo o mais. No mais, acredito que quando é algo para se divertir, algo benéfico, não tem tanto problema.
Ótima resenha, me deixou bastante curiosa :)
Beijos!

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