Um dos grandes nomes da literatura brasileira, Rubem Fonseca é autor de Feliz Ano Novo, uma coletânea de contos ideal para quem quer começar a ler livros do autor. O livro foi proibido de circular em 1975, porque o governo considerou-o como "contrário à moral e bons costumes".
O gênero dominante no livro é policial, só que há algo diferente na forma como ele constrói. Enquanto na maioria dos livros policiais focam em investigação e nos motivos que levaram ao crime ser cometido, nos contos do autor os crimes são cometidos em grande parte por prazer - os motivos só são vislumbrados em segunda observação.
Rubem Fonseca foi delegado de polícia e escritor, e sua profissão reflete diretamente nas histórias, já que há contos sobre escrita e muitos outros que provavelmente vieram de coisas que ele ouvia e observava em seu trabalho.
A narrativa crua do autor pode assustar em muitas partes. O conto que dá título ao livro me lembrou muito o estilo de escrita de Jorge Amado. Acho que de certa forma, os dois contemplam o mesmo "público" em suas análises do comportamento humano, transportando para a ficção - só que no caso de Fonseca, esse "público" é carioca.
Meus contos preferidos foram "Passeio Noturno" e "Corações Solitários". Apesar de vários contos diferentes, o livro é bem amarrado e certos estereótipos são identificados em toda coletânea. O problema de algumas coletâneas é que o "início, meio e fim" se perde, mas parece que tudo caminha para um ponto comum. Depois desse livro, quero ler alguns romances do autor.
Sobre o autor: Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade Nacional de Direito da então Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Em 31 de dezembro de 1952 iniciou sua carreira na polícia, como comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Muitos dos fatos vividos naquela época e dos seus companheiros de trabalho estão imortalizados em seus livros. Escolhido, com mais nove policiais cariocas, para se aperfeiçoar nos Estados Unidos, entre setembro de 1953 e março de 1954, aproveitou a oportunidade para estudar administração de empresas na New York University. Após sair da polícia, Rubem Fonseca trabalhou na Light até se dedicar integralmente à literatura. As obras de Rubem Fonseca geralmente retratam, em estilo seco e direto, a luxúria e a violência urbana, em um mundo onde marginais, assassinos, prostitutas, miseráveis e delegados se misturam.



















7 opiniões:
Olá!
Parabéns pela escolha e pela resenha sucinta e crítica.
Abraços.
Ando com uma vontade de ler autores nacionais e adoro quando vejo resenhas assim, porque os títulos entram na minha lista. Gostei da resenha!
Parabéns, Iris, o blog está incrível!
Ah, que legal! Vou procurar este livro na Saraiva!! :D
Mil beijos.
@mariaclarabruno
www.coffeesandbooks.com
Li esse livro pro vestibular! Confesso que na época foi um dos que mais gostei porque eu estava totalmente exausta e o livro é fácil de ler. Mas não gosto muito da temática. Violência, pra mim, serve quando bem utilizada. Violência gratuita tipo em Passeio Noturno é o tipo de coisa que não rola.
Ainda tinham uns contos meios perdidos e desnecessários, tipo aquele do campeonato de hm, 'conjunção carnal' ou o Abril, no Rio e tal. Mas gostei de outros: Corações Solitários, Dia dos Namorados e um outro que eu não lembro mais o nome, aquele bizarro com canibalismo.
Mas achei o jeito de escrever do Rubem Fonseca muito bom, até porque ele conseguiu transitar entre os mortos de fome na favela até o alto executivo sem se perder nenhuma vez.
Beijo!
Faz um tempão que não leio nada do Rubem, acho que está na hora de me redimir. Bjs, Rose:D
Tava querendo ler um livro do Rubem, seu post veio a valhar!
to esperando a resenha de Diario de um anjo! muhahahahah
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