14 de julho de 2011

8 opiniões 14.7.11

Rei Lear - William Shakespeare (versão mangá)

Posted by Iris - Filed under , , , , , ,
Imagine um clássico de Shakespere ir parar nas páginas de um mangá? Em uma versão "de trás pra frente", os japoneses adaptaram a história de Rei Lear para esse estilo, buscando atrair um público mais jovem para a leitura de um grande título da literatura mundial.
Já tive contato com outras peças de Shakespeare - tanto a versão "real" quanto adaptações -, mas de Rei Lear só havia escutado a respeito. Não conhecia a história do rei que resolve dividir seu reino entre as três filhas e acaba caindo em desgraça após um desentendimento com a filha mais nova, Cordélia. Gostei muito da história em si, o enredo no geral. Tanto que estou morrendo de vontade de correr e ler a versão original de Rei Lear, pois essa parece ser a obra mais "agitada" do autor.

E acho que é para isso que valem as adaptações. Para instigar sua curiosidade a respeito do original - e foi isso que esse mangá fez comigo.
O traço do desenho é lindo, um pouco mais arredondado do que eu acho que é o tradicional dos mangás (lembram que sou leiga no assunto? Só li Nana e agora estou lendo Fruits Basket, mas pelo que já folheei de outras histórias, o traço dessa é o que mais lembra quadrinhos tradicionais, mais "redondinho").
Além disso, essa edição se assemelha a um livro. Achei a capa linda, "limpa", séria. Foge daquela ideia mais "bagunçada" e informal que geralmente associam a quadrinhos, mangás e etc. A capa também tem orelhas, inclusive com informações sobre o autor. Se você pegar apenas o livro e não abrir, não dá para dizer que é uma adaptação para o mangá (a não ser porque a capa está onde fica, para nós ocidentais, a contracapa).
Uma pequena reclamação é que as vezes de um quadro para outro mudava o foco da história e me dava a impressão de haver buracos. Fiquei perdida algumas vezes, então não sei dizer se essa sensação existe na versão original ou foi um pequeno problema causado pela adaptação.
A linguagem rebuscada de Shakespeare foi suavizada no mangá, que apesar de ser mais formal, usa uma linguagem mais simplificada do que o Bardo usava.
Ao terminar, eu fiquei com a sensação de que todos os clássicos deveriam ser adaptados para essa linguagem! Assim, eles poderiam ser trabalhados em escola: primeiramente, os alunos leriam o clássico em versão mangá e, após ficarem familiarizados com a história, leriam a versão original. Acho que é uma forma inteligente de trabalhar o clássico, que é mais do que necessário, mas de forma prazerosa. O mangá não substitui a leitura do livro original, mas pode ser usado como ferramente para despertar o interesse dos jovens a leituras mais sérias.
Recomendo pelo menos dar uma olhadinha! Vai ser uma forma divertida de entrar em contato com uma história consagrada. Se gostar do enredo, corre e vai ler Shakespeare de verdade, assim como pretendo ler a versão original de Rei Lear o mais rápido possível.

8 opiniões:

Lilian disse...

É que eu acho que não dá pra reproduzir, mas seria legal se a editora liberasse pelo menos uma página pra vc colocar aqui, né! Pra gente ter ideia do traço e da arte da HQ/Mangá/Whatever. Acho importante isso numa resenha do gênero, que é muito visual - ver um pedaço deixa a gente mais instigado.

De todo modo, a resenha ficou ótima! E concordo com vc. É pra isso que as adaptações servem - ou deveriam servir!

Bjs!

Geovanna Ferreira disse...

Concordo com sua opinião, se alguém me mandasse ler clássico em Mangá e HQ na escola talvez eu já tivesse lido muitos mais deles do que o pouco que leio dessas obras primas. Adoro Shakespeare mas só conheço os livros mais "básicos" que tudo ser humano conhece, é uma boa dica, vou procurar saber mais sobre o gênio e ver se descolo um mangá...tendo uma dupla experiência literária.

Roberta disse...

Eu AMO "Rei Lear". É o melhor livro que existe... =P

Rachel Lima disse...

Rei Lear é uma história do Willie que eu não conheço. Eu já tinha visto algumas versões em Mangá, como a de Hamlet e de Romeu e Julieta. Parece legal *-* Gostei da resenha, vou procurar para ler (o mangá e o original, haha). Beijos!

Rachel Lima
http://etcoetra.blog.br

brunoferreirasantana disse...

Iris!

Obrigado pela indicação! Esse livro será o "presente de mim para mim mesmo" desse meu fim de semestre. Para mim, Rei Lear é uma obra prima de Shakespeare. Foi escrita na fase madura do autor e retrata problemas complexos da natureza humana. Coisa que somente gênios como ele faziam.

Já que vai ler e que me recomendou, faço eu a recomendação agora:

Ao ler a versão original tente prestar atenção ao bobo da corte. Esse é um traço muito forte de Shakespeare, seus clowns possuem os diálogos e os raciocínios mais profundos.

Rei Lear, sem dúvida nenhuma, é uma Masterpiece. Levo sempre comigo uma das frases do bobo para o Rei:

"Ficaste Velho sem ficar sábio."

Quanto à questão das adaptações de obras literárias, compartilho profundamente de sua opinião e adianto: No meio acadêmico isso foi observado e está sendo trabalhado. Sem dúvida, em um futuro próxima muitas obras receberão adaptações.


Obrigado mais uma vez pela recomendação! =)

Natalie Baptiste disse...

Eu vou parar de seguir blogs literarios... Vocês vão furar meu bolso...
Rei Lear é uma estória bacana, já li e fico imaginando como deve ter ficado interessante. Você comentou que deveiam ter mais clássicos adaptados, e isso é uma ideia genial, a verdade é que existem muitos clássicos adaptados, no entanto, poucos são trazidos aqui para o Brasil, por exemplo, varios livros da Jane Austen foram adaptados para mangá, mas nenhuma editora se interessou em publica-los aqui, não apenas Jane Austen como vários outros.
Quanto aos buracos que você sentiu ao ler a estória, o motivo pode ser dois: o primeiro é de a estória não ter sido bem adaptada, já que na verdade é uma peça de teatro, ou dois, você ainda não estar acostumada a ler mangás, mesmo ja tendo lido Nana todo(Mas isso é relativo já que não li o mangá).

Ed Kondo disse...

Esse mangá é apenas uma de uma série de mangás baseados em obras clássicas (não necessariamente literárias) publicado originalmente pela editora japonesa East Press e que inclui obras como A Divina Comédia de Dante, Crime e Castigo de Dostoyevsky, Guerra e Paz de Tolstoy, o Príncipe de Machiavelli, Os Miseráveis de Victor Hugo, A Metamorfose de Franz Kafka, etc.

Dessa série, a JBC também publicou O Capital de Karl Marx e pode publicar mais coisas.

Fábrica dos Convites disse...

Acho muito legal estas iniciativas, afinal tem muito jovem que precisa de alguns incentivos para abrir um livro, e estas fórmulas são boas. Bjs, Rose.

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