22 de janeiro de 2012

5 opiniões 22.1.12

Papo Literal: Pontos de Vista

Posted by Dayse D. - Filed under , ,
Uma das coisas que eu mais gosto em livros é a visão interna que temos de todos os tipos de personalidade. Apesar de eu não ser exatamente uma pessoa que gosta de INTERAGIR com outras, eu gosto de observar e estudar e analisar comportamentos. E é por isso que um escritor demora tanto para escrever alguma obra de ficção, porque tudo depende da sua capacidade de capturar a realidade do comportamento de um personagem que até então não existe (eu poderia escrever um post inteiro apenas sobre essa última frase, PORÉM essa não é a minha intensão hoje, sorry!, essa ideia vai ter que ficar meio que mal explicada) (ou quem sabe não esteja tão mal explicada assim, eu só acho que está porque minha cabeça está cheia de ideias e opiniões sobre o assunto) (ENFIM!). Acho até que é por isso que eu não confio em psicólogos que não gostam muito de ler livros de ficção. Que forma melhor de praticar seus conhecimentos?

Mas então. Lembra o que falei alguns posts atrás, sobre eu adorar personagens não-gostáveis? Pois acho que esse é o motivo. Gosto de analisar e entender o comportamento deles. A única coisa que me faz odiar um personagem é uma má construção de personalidade. Quando eles não fazem sentido. Eu consigo perdoar uma história fraca ou contraditória, mas não consigo perdoar a mesma falta em um personagem.
E é aí que entram os PONTOS DE VISTA.
Para que possamos falar disso, vamos brevemente separar livros em duas categorias (ISSO É ERRADO, ENTÃO VAI SER BEM TEMPORÁRIO): os livros guiados pela história e os livros guiados pelos personagens.
Na primeira categoria, pontos de vista são interessantes e enriquecem o livro, mas não são necessariamente cruciais para o andamento da trama. Na segunda categoria, pontos de vista SÃO o andamento da trama.
(mais uma vez, existem vários poréns dentro dessa afirmação, mas que não vai dar pra incluir nesse post. SORRY!)
Acho que a melhor maneira de explicar a beleza dos pontos de vista é usando exemplos.
Na minha resenha de Lola and the Boy Next Door, eu mencionei que é basicamente um livro do John Green, escrito do ponto de vista da menina. Paremos para ANALISAR. Ambos são sobre um menino desajeitado e nerd que é perdidamente apaixonado por uma típica Manic Pixie Dream Girl, completamente excêntrica e inacessível. A diferença? John Green conta a história do ponto de vista do pobre coitado do menino. Em Lola, a gente finalmente vê a cabeça da menina, que geralmente é odiada.
Isso acaba resultando em histórias completamente diferentes. Essa é a magia da coisa.
Estou falando desse assunto porque acho que a importância de interpretação de pontos de vista é muito importante em situações da vida real. Acho que por eu ser uma leitora ávida desde pequena, eu acabei desenvolvendo uma personalidade bem tolerante. Eu fico chateada e frustrada com muitas coisas, brigo e debato com frequência (e com uma paixão assustadora), mas é bem difícil isso fazer com que eu me afaste ou odeie alguém. É importante entender pontos de vista para entender fatos. Uma notícia nunca é só uma notícia: ela é as pessoas envolvidas, o lugar em que aconteceu, quem está assistindo. Um livro nunca é só a história, mas quem está na história, o porquê de estarem na história, e o que a pessoa que está lendo pensa da história. Por isso que às vezes quando você e seus colegas leem o mesmo livro e vão conversar sobre, parece que vocês leram duas coisas completamente diferentes. (Exemplo: as brigas entre os shippers de R/Hr e os shipper de H/Hr, na época que os livros de Harry Potter ainda estavam lançando)
Dessa vez, vou terminar o post com um pequeno desafio.
Eu tenho essa mania de rabiscar em meus livros. Sublinho, escrevo notas de rodapé, é uma zona (muitos amigos gostam de pegar meus livros emprestados para ler o que EU escrevi em vez da história em si). Muitos desses rabiscos são observações sobre o comportamento e a personalidade de algum personagem. Não vou pedir que vocês RABISQUEM no livro de vocês, nem todos são loucos como eu, mas carregue um caderninho ou um bloquinho de post-its com vocês. Anotem o que vocês pensam, analisem. Eu prometo que a experiência literária de vocês vai melhorar em 100% (e vocês podem até começar a ter mais facilidade com aquelas aulas malucas de artes e literatura) (isto é, se vocês tiverem dificuldade. Se não tiverem, façam esse desafio mesmo assim. É divertido.)
Beijo

Dayse Dantas é feliz e pratica o bem. Apoia qualquer tipo e forma de ficção, viciada em haikus e no seu iPod laranjado chamado Fred Weasley. Não faz questão das longas caminhadas na praia, mas não abre mão do bacon. Não que uma idéia esteja relacionada com a outra...
Twitter: @DayseD

5 opiniões:

Geovanna Ferreira disse...

Pra mim também, os personagens são a alma dos livros. Sinceramente, apesar de ler de tudo, amo os livros intensos, dramáticos e comoventes por lá, ao meu ver, residem os melhores personagens. Cheios de estórias, traumas, falhas, sonhos, suas personalidades são as mais bem construídas. Quando leio um livro do tipo, mergulho de cabeça, na estória e nos personagens, e deve ser por isso que tantos livros e personagens que amo vieram de livros assim. Também adoro analisar personalidade, não só de personagem de livro triste hehe... já perdi a conta das vezes que fiquei no meio da aula rabiscando nome de personagem na carteira e conversando sozinha sobre " a alma" deles... manias malucas de bookaholic! Vai entender...

Bj Dayse! - Bjs Íris!!

Tassi - Casco Literário disse...

O que seria de Guerra dos Tronos se os pontos de vista não importassem? xD
Não uso post-its grandes para marcar os livros, mas desde que comecei a usar tags, minha experiência de leitura ficou muito melhor. Quando pego um livro para resenhar ou mesmo folhear, as tags estão ali, mostrando as partes que mais me instigaram no livro.
Escrevi a resenha de "A Maldição do Tigre" essa semana e, pegando o livro de novo, acabei vendo que uma atitude que detestei da personagem principal na verdade fazia todo o sentido por causa da personalidade dela. A autora não escreveu a cena que o público queria para agradar a todos, mas escolheu escrever o que a sua personagem realmente faria, seguindo sua história de vida.
Do mesmo jeito que temos que pensar nos motivos das ações das pessoas na nossa vida, os personagens merecem essa abrangência também. Se simplesmente aceitarmos o que o autor coloca ali, sem questionar, imaginar e tentar entender ações importantes, pra que estamos lendo?
Ótima coluna, Dayse!!

O Guri disse...

Bem, eu já tinha pensado sobre isso, mas creio que não com essa clareza que você colocou.
Achei teu texto uma coisa de louco. Crítico, observador... parabéns!

{http://umgurientregurias.blogspot.com/}

Nina Vieira disse...

Há um escritor que, até hoje, não consigo perdoá-lo por conta de sua personagem. Trata-se de Ray Bradbury no seu mais famoso livro: Fahrenheit 451. Clarissa aparece para abrir os olhos do bombeiro e falecer no instante seguinte. Não faz sentido. A enorme ausência de personagens femininas nesta obra deixa uma enorme lacuna do que poderia ter sido melhor. Abraços!

Thaís Cavalcante disse...

Acho que sou do mesmo time que você! Existem alguns personagens que nos conquistam pelo simples fato de serem diferentes do convencional, a mocinha, bonitinha que precisa de um heróis, mas e se for uma Katniss na vida, que passa por dificuldades e mesmo assim não precisa de ninguém, é esse o maior desafio para o escritor, porque criar personagens baseados na vida cotidiana é fácil, mas criar e mostrar uma visão além do que se vê é bem mais difícil.

Também sempre ando com bloquinhos para fazer anotações e meus mini marcadores de ninja (OOOOOK!), mas é sempre bom explorar ainda mais os personagens e ter uma visão além daquilo que podemos ver.

Adorei o blog e quero saber todas as novidades! Já estou seguindo. Espero que curta o meu!
http://www.pronomeinterrogativo.com

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