15 de janeiro de 2012

7 opiniões 15.1.12

Papo Literal: A regra de Ouro.

Posted by Bells - Filed under , , ,
Vou pegar da onde a Dayse parou e continuar nessa onda de falar sobre autores. Hoje o tema é bem mais leve e é uma dica para todo mundo aí que quer escrever um livro algum dia.
Durante o mês de novembro, acontece o NaNoWriMo, que é o National November Writing Month, organizado pelo sindicato dos escritores dos EUA. O objetivo do NaNo é escrever um romance de 50 mil palavras em um mês. 2011 foi o segundo ano que eu participei e, dessa vez, cheguei em 37 mil palavras. (Em 2012 a meta é chegar em 50 mil mesmo!). Enfim, todas as vezes durante o NaNo, chovem dicas para escritores iniciantes de escritores experientes.
Eu não concordo com algumas. Se escrever fosse receita de bolo, todo mundo teria livro publicado, não é mesmo? Sempre tentam colocar regras tipo “menos é mais” ou “mais é mais” ou ainda “PLANEJE TUDO!” e “NÃO PLANEJE NADA”. Cada pessoa tem o seu método para escrever e demora o tempo que é necessário para escrever. Tem gente que escreve um livro em uma semana. Tem gente que escreve em 10 anos.

De todas as dicas que eu já vi até hoje, a melhor, a que eu sempre tento seguir é essa: se divirta. Se divirta com a sua história. Se você escreve algo que nem você mesmo acredita, que nem você mesmo gosta, como é que você pode esperar que as outras pessoas gostem?
Acho que essa é a REGRA DE OURO da escrita. Atualmente estou lendo Scorpio Races, da Maggie Stiefvater e já o amo, mesmo que só tenha chegado à metade. A Maggie já disse várias vezes que esse é o livro que ela sempre quis ter escrito e que ela o ama demais.
Então, eu acredito de verdade que parte do amor que o autor tem pela história é transmitida para os leitores. Então, se você acha que em algum momento a sua história está esquisita ou se tem algo que você não gosta, É PORQUE TEM! Aí o que você faz? Reescreve.
Isso não quer dizer que se você ama a sua história todo mundo vai gostar, porque ninguém é igual. Mas eu acredito que pelo menos aquelas pessoas que são parecidas com você, aquelas que tem gostos semelhantes, vão adorar. Quantas vezes não vi gente elogiando livros que eu não gosto? Quantas vezes elogiei livros que outras pessoas não gostam? Faz parte da vida.
Além disso, a insegurança é normal. Pensar que a sua história é ruim e que não tem motivo para você estar escrevendo é normal e não se encaixa em “não amar a história”.
Tem um texto muito engraçado do Gaiman pro NaNoWriMo em que ele fala que quando estava em três quartos de Deuses Americanos, ligou desesperado para a sua editora dizendo “Não, eu não consigo. Como é que vocês publicaram meus livros? Isso tudo é muito ruim”. A sua editora, gentilmente (ou não), disse para ele: “Neil, você SEMPRE faz isso. SEMPRE. E no final, sempre termina um livro ótimo.”
Se Neil Gaiman tem dúvidas, quem sou eu para não ter?
Na minha experiência, os autores que são muito “SOU A REENCARNAÇÃO DE (insira aqui autor famoso e best seller)” normalmente estão tão envolvidos com o seu ego que se esquecem da história e do leitor. E acho que nesse negócio, ter um ego grande demais atrapalha. Entre uma pessoa que clama que o seu livro é o melhor livro desde a invenção da escrita humana e uma que diz “olha, tem essa história aqui e eu gosto muito dela, será que você poderia dar uma chance?”, eu fico com a segunda opção.
(Vocês já pensaram que louco seria se um desses escritores injustiçados pela sua arte se tornar uma pessoa frustrada e esquisita e dominar o mundo? Tipo como o que aconteceu com o Hitler depois que ele foi recusado pela academia de belas artes da Austria.)
Então, a moral de hoje no Papo Literal foi: SIGA O SEU CORAÇÃO E TUDO DARÁ CERTO.


Bell, fangirl, leitora assídua de ficção científica, livros sobrenaturais e teorias econômicas. Nas horas vagas, viaja no tempo em sua TARDIS.
Twitter: @mecutuca


7 opiniões:

Blanca disse...

Tirou as palavras da minha boca, Bell! :B

Isso é fundamental. Eu nunca escrevi mais de, sei lá, 15 páginas de um romance, mas já escrevi contos e é isso aí. Quando vc se envolve, quando vc acha que aquilo é bom, dá vontade de continuar.

Ah, e um adendo: nós temos vários tipos de escritas. Crônicas, contos, romances... antes de vc achar que é O romancista, escreva muito de tudo e vê no que se é melhor! \o

beijos :*

Tânia Gonzales disse...

Boa tarde!

Gostei muito da dica. Concordo plenamente.

Eu sou uma escritora amadora. Disponibilizei três livros pela internet(romance gospel).

Acho fundamental que o escritor se envolva com a sua obra, de verdade.
Eu choro com meus personagens, dou risada, me emociono mesmo!
Só vale a pena se for assim.

Nica disse...

Sem comentários... perfeito o seu post! E, realmente, se vc não se diverte, se vc não gosta da sua própria história, dificilmente alguém irá gostar tb! Não sabia desse evento em Novembro... esse ano ficarei atenta! Adoro escrever e é uma boa maneira! =)

Um beijo,
Nica

Geovanna Ferreira disse...

Um dos meus sonhos é escrever um livro. Tenho vários projetos ( uma distopia maluca que mistura sobrenatural, histórias antigas, sobre grã duquesas russas que escapam de chacinas históricas, uma fantasia medieval dentre outras loucuras) esses dias mesmo pus na cabeça que ia começar a escrever uma das estórias que tinha em mente, só para treinar, uma trama bem levinha, misturando música, livros, personagens que sempre quis encontrar num livro... enfim decidi escrever a estória que sempre quis ler e acima de tudo tem minha cara. Gostei da experiência, apesar de não ter saído da página 6 juro juradinho que segundo retorno á história de Liz e Raul... acho que a saída é essa mesma, escrever, ter calma,não se preocupar com lançamento e tudo mais, amar sua estória, ser coerente, pé no chão que possívelmente seu livro não é o melhor livro da humanidade... no fim tudo se resume em se divertir!!

Beijos Bell! - Beijos íris!!

Celle Espindola disse...

Ficou lindo isso, adorei.
E concordo com você, às vezes eu leio essas coisas de dicas para escritoras, por mais que eu não escreva realmente. A verdade é que algumas dicas fazem sentido para mim, mas outras soam simplesmente estranhas, sem contar as que são opostas. Somos diferentes para ler, então é óbvio que também somos para escrever, ué.

Beijos, beijos

Luks Vieira disse...

Adorei as 'dicas de ouro', principalmente quando você toca no assunto do super ego dos pseudos escritores...
Att.,
Luks

Victor disse...

Ótimo post Bell, adorei! Ouvi uma vez a Fabi, editora da Underworld, comentando no formspring, creio: "Se você não acredita na sua obra, quem irá acreditar?". Acho que isso se encaixa bem no que você disse nesse post. Tem que ir fundo, de coração, dar seu melhor e amar esse seu melhor - ou lutar até amar. Nessas horas de desespero e frustração, é sempre bom ter um clubinho particular de leitores por perto pra poder enviar os capítulos. Apoio: hoje e sempre rs

Abraços,
Victor

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